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Tardoz na engenharia civil: o que é e quais cuidados ter na obra?

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Tardoz na engenharia civil: o que é e quais cuidados ter na obra?

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Você já parou para pensar o que garante que um revestimento cerâmico fique firme na parede por anos? Não é só a argamassa ou o jeito de aplicar — o segredo está, muitas vezes, no lado que ninguém vê da peça: o tardoz.

Esse nome pode soar técnico demais, mas a verdade é que o tardoz é um dos protagonistas silenciosos na hora de assentar pisos e azulejos. Um pequeno descuido nessa parte pode resultar em peças ocas, desplacamento e até queda de revestimentos inteiros.

Neste artigo, você vai descobrir o que é o tardoz, por que ele é tão importante na execução de revestimentos cerâmicos, quais cuidados tomar com essa face “escondida” da peça e, de quebra, conhecer outros significados que esse termo pode ter dentro da engenharia civil.

Continue a leitura e entenda como o Tardoz pode fazer toda a diferença na durabilidade e qualidade do revestimento cerâmico.

Engenheiro segurando duas peças cerâmicas, exibindo a diferença entre a face de acabamento (frente) e o tardoz (lado de trás que entra em contato com a argamassa).

o que é tardoz na engenharia civil?

O termo tardoz, na engenharia civil, se refere ao lado de trás das peças cerâmicas, ou seja, a face que fica em contato com a argamassa na hora da aplicação. É esse lado, geralmente poroso ou com ranhuras, que ajuda na aderência entre o revestimento e a base.

Viu aí, né? O tardoz não possui ranhuras atoa, isso é essencial para fixação da argamassa. 

Mas o uso do termo não se limita às cerâmicas. Em um contexto mais amplo, “tardoz” também pode designar a face posterior de elementos arquitetônicos, como:

  • Parede oposta à fachada principal (voltada para áreas internas ou fundos do lote);
  • A face oculta de paredes, muros ou painéis moldados.

📌 Exemplos práticos:

  • Painel pré-moldado: o lado que encosta em outra parede ou estrutura pode ser chamado de tardoz, pois não aparece nem recebe acabamento.

  • Muros de arrimo ou vedação: a face que fica voltada para o interior do solo ou para o terreno vizinho pode ser tratada como tardoz, já que não será vista.

  • Paredes duplas: em alvenaria dupla, a face que fica entre os dois panos pode ser chamada de tardoz.
Pedreiro aplicando argamassa de assentamento no tardoz de uma peça cerâmica, com indicação visual destacando o lado de trás da peça que será colado à base.

Tardoz em cerâmicas: principais características e funções

Quando se fala em cerâmica na obra, o que mais chama atenção é o lado bonito: o acabamento esmaltado, as cores, os formatos. Mas o tardoz — aquele lado de trás da peça — é quem ajuda a deixar tudo no lugar.

Características do tardoz em peças cerâmicas:

  • Textura porosa: Essa superfície áspera é essencial para absorver parte da umidade da argamassa, o que melhora a fixação.

  • Ranhuras e nervuras: Muitas peças vêm com ranhuras no tardoz, justamente para aumentar a área de contato com a argamassa e evitar descolamentos.

  • Sem esmalte: O tardoz nunca é esmaltado. Se estiver com resíduos de fábrica (engobe, pó ou óleo), a aderência pode ser prejudicada.

Funções do tardoz no assentamento cerâmico:

  1. Promover a aderência mecânica com a argamassa colante;

  2. Contribuir para a fixação química, absorvendo a umidade na medida certa;

  3. Distribuir tensões uniformemente entre a base e o revestimento;

  4. Aumentar a resistência ao escorregamento durante a aplicação, especialmente em peças maiores.

Preparo e cuidados com o tardoz

Sabe aquele ditado “o que os olhos não veem, o coração não sente”? Pois é — na obra, isso não vale. Depois da aplicação, o tardoz não fica visível, mas qualquer descuido com ele pode gerar problemas sérios, como peças ocas, descolamentos e até acidentes.

Pra garantir que o revestimento fique bem colado e dure por muito tempo, é fundamental seguir alguns cuidados práticos com o tardoz antes da aplicação:

1. Limpeza do tardoz

  • Remova o pó da fábrica, resíduos de engobe (aquela camada esbranquiçada ou esfarelada), óleo ou qualquer sujeira que impeça a aderência.

  • Se necessário, lave as peças com água limpa e deixe secar naturalmente.

  • Evite usar ácidos ou produtos químicos agressivos — o importante é que o tardoz esteja limpo e seco.

2. Verificação da absorção

  • Um tardoz muito impermeável (por exemplo, com excesso de engobe) pode impedir que a argamassa penetre e se fixe bem.

  • Testes simples com gotas de água ajudam a avaliar: se a água for absorvida lentamente, está tudo certo.

3. Escolha da argamassa correta

  • Utilize argamassa colante compatível com o tipo de cerâmica e local de aplicação (interna, externa, piso, parede, fachada).

4. Durante a aplicação

  • Faça pressão firme na peça, deslizando ligeiramente para espalhar bem a argamassa.

  • Verifique se toda a superfície do tardoz entrou em contato com a argamassa — isso evita vazios e peças ocas.

CUIDADOS COM TARDOZ

💡 Dica Engsette:
Se você ouvir um som oco ao bater em uma peça já instalada, é bem provável que houve falha na aderência do tardoz. Em fachadas e áreas externas, isso pode ser um problema grave!

📄 O que diz a norma sobre Tardoz?

Para peças com mais de 900 cm², a NBR 13755 exige dupla colagem: a argamassa deve ser aplicada tanto no tardoz quanto na base.

Consequências de um tardoz mal executado

O revestimento pode até parecer bem aplicado no início, mas se o tardoz não estiver limpo, preparado e colado corretamente, os problemas aparecem com o tempo — e podem sair bem caros.

Veja algumas das principais consequências de um tardoz mal executado:

1. Descolamento de peças (desplacamento)

Quando o tardoz não tem boa aderência com a argamassa, as peças podem começar a se soltar. Esse descolamento, conhecido como desplacamento, é uma das falhas mais comuns em revestimentos cerâmicos — principalmente em fachadas e áreas molhadas.

2. Peças ocas (falsa aderência)

Sabe aquele som “oco” ao bater com os dedos em uma peça cerâmica? É sinal de falsa aderência. Isso acontece quando o tardoz não está totalmente em contato com a argamassa, criando vazios que acumulam umidade e comprometem a fixação.

3. Infiltrações e bolor

Com a presença de espaços ocos entre o tardoz e a argamassa, a água pode infiltrar. Em ambientes internos, isso gera manchas, mofo e degradação da parede.

4. Riscos à segurança

Em ambientes como fachadas ou áreas externas elevadas, o descolamento de peças pode resultar em acidentes graves com a queda de materiais — o que além de perigoso, representa passivo jurídico e retrabalho na obra.

5. Retrabalho e aumento de custos

Refazer áreas com falhas de aderência por conta do tardoz mal tratado custa tempo, dinheiro e confiança do cliente. O barato pode sair bem caro.

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