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Esfera Niemeyer: Uma carta convenceu Oscar Niemeyer a fazer um dos seus últimos projetos

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Uma carta convenceu Oscar Niemeyer a fazer um dos seus últimos projetos

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Em 2011, Oscar Niemeyer tinha 103 anos. Já consolidado na profissão e reconhecido como um dos maiores arquitetos do século XX, sua mente seguia ativa e criativa — mesmo com a idade avançada. Foi nesse cenário que uma carta vinda da Alemanha atravessou o Atlântico e chegou ao escritório de Niemeyer, no Rio de Janeiro.

O remetente era um empresário alemão com uma proposta, no mínimo, inusitada: transformar o simples refeitório de sua fábrica em um espaço arquitetônico único e inspirador. Um dos motivos? Ele não queria que o cozinheiro deixasse sua equipe.

O que parecia improvável acabou se tornando realidade. Niemeyer aceitou o desafio, dando origem àquele que seria um dos últimos projetos assinados pelo arquiteto brasileiro: a Esfera Niemeyer.

Continue a leitura para saber mais sobre essa história e entender todos os detalhes por trás desse projeto.

oscar niemeyer esfera niemeyer sphere

A carta que atravessou o oceano

Essa história começa em 2007, quando o empresário alemão Ludwig Koehne viajou ao Brasil representando sua empresa, a HeiterBlick. Durante a visita, teve seu primeiro contato com as obras de Oscar Niemeyer — e ficou profundamente impressionado com as formas incomuns e a arte expressa na arquitetura.

Algum tempo depois, já de volta à Alemanha, Ludwig passou a alimentar a convicção de que até os espaços mais simples podiam ser transformados pela arte — inclusive o refeitório da própria fábrica.

Mas, em vez de recorrer a uma ampliação ou reforma convencional, teve uma ideia ousada: convidar o próprio Oscar Niemeyer para assinar o projeto.

Sem saber se receberia qualquer resposta, o empresário e fã de Niemeyer escreveu uma carta à mão e a enviou ao Brasil. Nela, descreveu sua motivação e contou em detalhes o que gostaria de fazer.

A intenção ia além da estética: queria criar um espaço tão especial que fosse capaz, inclusive, de convencer o cozinheiro da empresa a permanecer na equipe.

Para sua surpresa, a resposta chegou pouco tempo depois. Niemeyer não apenas respondeu, como também enviou um esboço. Nele, imaginava uma esfera branca futurista e imponente, pairando levemente ao lado do prédio fabril — uma assinatura inconfundível do arquiteto brasileiro.

croqui de oscar niemeyer esfera

A concepção da Esfera: ideia e desenho de Niemeyer

Mesmo aos 103 anos, Oscar Niemeyer continuava a trabalhar com entusiasmo e paixão. Ao receber a carta de Ludwig Koehne, o arquiteto prontamente se interessou pelo inusitado pedido vindo da Alemanha.

O que poderia parecer um projeto pequeno demais para sua carreira, despertou nele justamente o oposto: a liberdade criativa de transformar algo cotidiano em arte. 

Em resposta à carta, Niemeyer enviou um croqui que continha o esboço de uma esfera elevada, feita de concreto branco, com um corte que revelava uma fachada envidraçada. 

O desenho expressa o estilo característico do arquiteto: formas curvas, flutuantes, quase escultóricas — elementos que desafiavam a gravidade e valorizavam a leveza.

O conceito foi tão bem recebido que se manteve praticamente inalterado durante todo o processo de desenvolvimento. Mesmo com os desafios técnicos e os anos que viriam pela frente, o desenho original de Niemeyer foi respeitado em cada detalhe — como um gesto de reverência à sua genialidade.

niemeyer sphere esfera niemeyer um dos ultimos projetos de niemeyer

A construção pós-Niemeyer: desafios e soluções

Oscar Niemeyer faleceu em dezembro de 2012, um ano após o envio do esboço. E restava a dúvida: como dar continuidade a uma obra idealizada por um dos maiores nomes da arquitetura mundial, sem comprometer sua visão artística?

Coube então ao arquiteto Jair Valera, colaborador de longa data de Niemeyer e responsável técnico por diversos de seus projetos, dar continuidade ao desenvolvimento da esfera. Valera foi fundamental para preservar a essência do traço original.

O projeto só foi iniciado efetivamente em 2017, seis anos após a proposta original. Um dos motivos? A complexidade técnica do projeto.

A esfera foi construída com concreto branco autoadensável, moldado em formas curvas e contínuas. A aparência flutuante, sem pilares aparentes, exigiu alta precisão. A estrutura possui um único apoio lateral, em balanço, com tolerância de apenas 2 centímetros de distância do prédio centenário da fábrica.

Por conta do design incomum, Ludwig comenta que demorou praticamente dois anos para encontrar engenheiros que pudessem calcular a estrutura. 

Porém, o maior desafio foi encontrar empresas capazes de produzir os vidros especiais exigidos pelo projeto. A fachada da esfera é composta por vidros de cristal líquido, que podem variar sua transparência — uma inovação que contribui para o conforto térmico e a eficiência energética.

O vidro com tecnologia de cristal líquido, fabricado pela Merck, pode alternar de 50% a 2% a transmissão de luz em menos de um segundo, funcionando como tecnologia de sombreamento. Tudo isso podendo ser controlado por um tablet.

Com 12 metros de diâmetro, a esfera traduz um lema seguido pelo arquiteto brasileiro durante toda sua trajetória profissional: a arquitetura da fantasia, uma estrutura feita para surpreender.

Mas para que tudo isso fosse possível, Ludwig Koehne estima um gasto de aproximadamente 3 milhões de euros. Apesar do alto valor investido, o empresário considera que o projeto valeu cada centavo — principalmente pelo impacto simbólico e arquitetônico que a estrutura trouxe para a cidade.

Vidro de cristal liquido esfera niemeyer

Esfera Niemeyer: legado e reconhecimento

Atualmente, a estrutura intitulada “Esfera Niemeyer” abriga o restaurante panorâmico Céu Dining, um espaço de alta gastronomia. O restaurante funciona como uma extensão do refeitório tradicional da fábrica — o Kirow Kantine, que continua operando normalmente para os funcionários.

Tudo isso, claro, sob o comando do amigo e chef Peter Maria Schnurr — que é justamente o cozinheiro citado por Ludwig na carta enviada a Niemeyer.

Além da experiência gastronômica, a esfera também é utilizada para eventos culturais e privados. O espaço pode ser reservado para celebrações, jantares especiais e visitas guiadas. Segundo algumas fontes, devido ao grande fluxo de interessados, as reservas se esgotam rapidamente.

Ludwig Koehne, empresário e idealizador do projeto, expressa com frequência a honra que sente por ter colaborado com o arquiteto brasileiro. Em suas palavras:

“O povo de Leipzig sente-se muito orgulhoso e honrado por ter recebido um edifício do grande artista Oscar Niemeyer.”

A Esfera Niemeyer também conquistou reconhecimento  e premiações. Desde sua inauguração, o projeto já recebeu quatro prêmios de arquitetura e inovação, destacando-se tanto pelo arrojo estético quanto pelas soluções técnicas empregadas na construção.

Como gesto simbólico de valorização, a prefeitura de Leipzig renomeou a rua onde está localizada a esfera para “Niemeyer Street” — uma homenagem duradoura ao mestre brasileiro da arquitetura moderna.

Estrutura chamada Niemeyer Sphere. Uma esfera de concreto branca com vidros na fachada incorporada a um prédio na alemanha

Niemeyer de volta a Alemanha

Embora a Niemeyer Sphere, em Leipzig, tenha ganhado destaque como um dos últimos projetos assinados por Oscar Niemeyer, é importante lembrar que o arquiteto brasileiro já havia deixado sua marca em solo alemão.

Em 1957, Niemeyer projetou um edifício residencial no bairro Hansaviertel, em Berlim Ocidental, como parte da exposição internacional Interbau 57 — uma iniciativa que buscava reconstruir a cidade após a Segunda Guerra Mundial.

O evento propunha experimentar novos modelos de habitação urbana, aplicando os princípios da arquitetura moderna. Na ocasião, Niemeyer foi o único arquiteto latino-americano convidado a integrar o ambicioso plano de renovação urbanística do bairro.

A Interbau foi concebida como uma vitrine de experimentação arquitetônica, reunindo nomes como Le Corbusier, Alvar Aalto, Walter Gropius e Arne Jacobsen.

Considerando a unificação do país, a Alemanha abriga dois projetos autorais de Niemeyer: o edifício em Hansaviertel e a esfera de Leipzig.

A Esfera em Leipzig é uma prova de que Niemeyer influenciou gerações ao redor do mundo. Seu legado permanece vivo em edifícios que rejeitam o reto e abraçam a curva, que valorizam a estética tanto quanto a engenharia — verdadeiras esculturas habitáveis.

Galeria de fotos

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