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armadura de arranque: por quanto tempo as barras de espera podem ficar expostas?

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armadura de arranque: por quanto tempo as barras de espera podem ficar expostas?

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Durante a execução de estruturas de concreto, é comum observar barras de aço expostas em pilares, blocos ou lajes. São as chamadas armaduras de arranque — ou simplesmente barras de espera. Como o próprio nome indica, elas ficam ali à espera da próxima concretagem, garantindo a ligação monolítica entre diferentes elementos estruturais.

No dia a dia da obra, no entanto, imprevistos acontecem. Questões financeiras, atrasos de cronograma ou mudanças de projeto podem fazer com que essas barras fiquem expostas por muito mais tempo do que o previsto.

Nesse cenário, você deve saber de uma coisa: barras de aço expostas ao ambiente não ficam imunes. Sem nenhum tipo de proteção, a corrosão é apenas questão de tempo.

É justamente daí que nasce uma dúvida recorrente: quanto tempo é seguro deixar a armadura de arranque exposta sem proteção contra a corrosão?

Continue a leitura para saber o que a NBR 14931:2023 fala sobre isso, quais cuidados devem ser adotados no canteiro e como evitar problemas que podem custar caro no futuro.

POR QUANTO TEMPO armadura de arranque PODE FICAR EXPOSTa

O que a NBR 14931:2023 estabelece sobre o tempo máximo de exposição das barras de espera (arranques)?

O tempo máximo em que as barras de espera podem permanecer expostas sem proteção contra corrosão depende da classe de agressividade ambiental (CAA) na qual a estrutura está inserida.

Em ambientes menos agressivos, o prazo permitido é maior. Já em regiões litorâneas ou industriais, a exposição precisa ser bem mais limitada, devido ao risco acelerado de corrosão.

Lembrando que a indicação da classe de agressividade deve constar no projeto estrutural, pois influencia não apenas no tempo de exposição dos arranques, mas também no cobrimento do concreto, no consumo de cimento e até na classe de resistência do concreto.

Por isso, é responsabilidade do projetista estrutural indicar corretamente essa classificação, orientando a execução em campo.

Barras de espera (item 8.2.7.2 - nbr 14931)

A NBR 14931:2023 dedica um trecho específico às barras de espera. O item 8.2.7.2 estabelece que, sempre que a interrupção das concretagens ultrapassar o prazo máximo indicado, os arranques devem obrigatoriamente ser protegidos contra a corrosão.

A Tabela 2 da norma apresenta os prazos máximos (em meses) de exposição permitidos para as barras de espera, de acordo com a classe de agressividade ambiental. 

Veja abaixo a tabela completa, seguida de uma ilustração para facilitar o entendimento da norma:

A imagem apresenta a Tabela 2 da NBR 14931:2023. Ela apresenta o Tempo máximo de exposição das barras de espera sem a necessidade de proteção contra corrosão em função da classe de agressividade ambiental.
TEMPO MAXIMO DE EXPOSICAO DAS BARRAS DE ESPERA SEM PROTECAO CONTRA CORROSAO NBR 149312023 1
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A NBR 14931:2023 oferece, por meio da tabela, uma orientação objetiva e de fácil aplicação no dia a dia da obra. 

É importante destacar que a corrosão não segue cronogramas. Fatores como umidade relativa do ar, variação de temperatura e contato com agentes agressivos podem fazer com que o aço apresente sinais de deterioração antes mesmo do prazo estabelecido pela norma.

Por isso, atente-se a observação (b) da tabela:

É recomendado realizar inspeções visuais periódicas das barras durante o período em que elas estiverem expostas, principalmente para as Classes de agressividade ambiental I, II e III.

Por isso, antes de retomar a concretagem, é preciso verificar se há sinais de corrosão, perda de seção ou alguma manifestação patológica, se tudo estiver certo, a obra pode seguir.

Como proteger a armadura de arranque contra corrosão?

A NBR 14931 em sua verão de 2023 não indica um método específico de proteção para as barras de espera. Ela apenas exige que, se o tempo máximo apresentado na tabela 2 for ultrapassado, alguma forma de proteção deve ser aplicada.

Na prática, existem algumas alternativas possíveis. A seguir, falamos sobre duas delas:

Nata ou Pasta de Cimento

A pasta de cimento nada mais é do que uma mistura de cimento e água (a/c ≤ 0,4), aplicada sobre as barras expostas. É considerada uma solução provisória, indicada para períodos curtos de exposição.

  • Como aplicar: pincelar ou projetar a pasta em toda a superfície das barras expostas.

  • Função: criar uma camada alcalina que retarda o início da corrosão.

  • Remoção: após a retomada dos trabalhos, TODA SUPERFÍCIE DA BARRA DEVE SER LIMPA, removendo toda a nata de cimento antes da concretagem, a fim de garantir boa aderência com o concreto novo.

A recomendação do uso da nata de cimento aparece no Manual de Obras Públicas – Edificações, publicado pela Secretaria de Estado da Administração e do Patrimônio (SEAP) e já esteve presente em versões anteriores da NBR 14931.

No entanto, queremos reiterar que essa é uma opção considerada provisória, pois a longo prazo sua eficiência não é garantida. 

Protetor Anticorrosivo para barras de espera

Outra alternativa são os revestimentos anticorrosivos à base de cimento modificado com aditivos poliméricos. Esse tipo de produto forma uma barreira física e química sobre as armaduras de aço.

Quando aplicado, ele isola o metal do contato com oxigênio, umidade e agentes agressivos, retardando significativamente o processo de corrosão.

  • Como aplicar: aplicar com pincel ou trincha diretamente sobre as barras previamente limpas, em 2 a 3 demãos cruzadas, com intervalo mínimo de 3 horas entre as demãos. A aplicação deve cobrir toda a superfície exposta das armaduras, e o produto deve ser usado em até 1 hora após o preparo.

  • Função: criar uma camada protetora que inibe a corrosão do aço.

  • Remoção: antes de tudo verifique a recomendação do fabricante do produto. Na grande maioria, não é preciso remover o material, apenas deve-se escovar levemente a superfície com escova de aço ou lixa antes da concretagem, para remover partículas soltas e garantir melhor aderência.

Atenção: Não utilize esses produtos nas armaduras!

Não utilize zarcão, óleo diesel, óleo de cozinha e graxas nas armaduras de concreto armado, pois a película formada por esses produtos prejudica a aderência entre o concreto e o aço. 

Independentemente do método adotado, duas regras permanecem:

  1. A proteção deve ser renovada periodicamente caso o tempo máximo de exposição estabelecido pela norma seja ultrapassado.

  2. Antes de dar prosseguimento na concretagem as barras devem passar por inspeção visual para garantir que estão em boas condições de uso.

Nosso artigo chegou ao fim! Se você gostou, compartilhe com alguém que precisa conhecer essa recomendação normativa. Até a próxima dose de engenharia!

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