
A maior estrutura de madeira do mundo será queimada para produzir combustível, afirma arquiteto do projeto
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A maior estrutura de madeira do mundo será queimada para produzir combustível, afirma arquiteto do projeto
- Por Márcio Freire
- 16 Dezembro,
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Há quase dois séculos, as Exposições Universais funcionam como vitrines do futuro. Foi assim que nasceram ícones como a Torre Eiffel, criada para a Exposição de Paris em 1889. Em 2025, o Japão decidiu seguir esse legado e marcar seu nome na história com uma obra monumental: o Grand Ring da Expo Osaka 2025.
Com 2 quilômetros de circunferência e mais de 61 mil metros quadrados, o Grand Ring não era apenas uma construção. Ele simbolizava união entre povos, inovação sustentável e respeito à tradição japonesa — um anel de madeira que envolvia toda a Expo Osaka 2025, conectando culturas, ideias e gerações.
Mas poucos meses após o fim da exposição, esse símbolo corre o risco de desaparecer, transformando um marco histórico em um caso controverso.
Continue a leitura para entender como uma das maiores obras de madeira já construídas pode acabar reduzida a cinzas.
A maior estrutura de madeira do mundo
O Grand Ring da Expo Osaka 2025 entrou para os livros do Guinness World Records como a maior estrutura de madeira do mundo. Projetado pelo renomado arquiteto japonês Sou Fujimoto, o anel impressionou não apenas pelo tamanho, mas pela filosofia por trás de sua construção.
Diferente de megaprojetos baseados em aço e concreto, o Grand Ring foi erguido quase inteiramente em madeira, reforçando uma mensagem clara: o futuro pode — e deve — ser mais sustentável.
A estrutura foi pensada para ser modular, desmontável e reutilizável. Nada ali deveria ser descartável. Para tornar isso possível, Fujimoto recorreu a uma técnica milenar da arquitetura japonesa.
A técnica Nuki: tradição milenar sem um único prego
Um dos aspectos mais fascinantes do projeto foi o uso da técnica tradicional japonesa Nuki. Empregada há séculos na construção de templos e santuários, essa técnica utiliza apenas encaixes de madeira, sem o uso de pregos ou parafusos.
Graças a esse método:
As peças podem ser removidas e substituídas
A estrutura pode ser desmontada com facilidade
O transporte e a reconstrução em outro local se tornam viáveis
A manutenção é simplificada, aumentando a durabilidade da obra
Segundo Fujimoto, com manutenção adequada, o Grand Ring poderia durar tanto quanto alguns dos templos históricos do Japão — muitos deles com mais de mil anos de existência.
tudo será queimado?
A Expo Osaka 2025 aconteceu entre abril e outubro. Logo após o encerramento, começou a desmontagem do local — algo previsto desde o início. No entanto, o destino do Grand Ring da Expo Osaka 2025 permaneceu indefinido por semanas.
Até que veio a revelação.
Em entrevista exclusiva à revista Dezeen, Sou Fujimoto afirmou que a maior parte da estrutura deverá ser queimada, transformada em lascas de madeira para combustível.
Segundo o arquiteto:
Apenas 200 metros (cerca de 10%) serão preservados
Aproximadamente 20% podem ser reaproveitados em outros locais
Cerca de 70% devem ser simplesmente incinerados
A decisão, segundo ele, partiu de autoridades políticas — e não dos arquitetos ou do estúdio responsável pelo projeto.
“Queimar é a pior coisa a se fazer”
Sou Fujimoto não escondeu sua frustração. Para ele, transformar o Grand Ring em combustível representa o oposto do conceito de sustentabilidade.
Em suas palavras, “queimar é a pior coisa a se fazer”.
O arquiteto argumenta que a estrutura foi concebida para o reuso e que a madeira poderia ser facilmente reaproveitada na construção de habitações populares ou novos projetos arquitetônicos.
Fujimoto também acredita que o Grand Ring poderia ter seguido o caminho de outros ícones das Exposições Universais, permanecendo como legado permanente — assim como a Torre Eiffel.
Uma decisão política, não arquitetônica
É importante destacar que o estúdio de Sou Fujimoto não participa da decisão sobre o destino da madeira. A responsabilidade está nas mãos da Associação Japonesa para a Exposição Mundial de 2025 e das autoridades locais de Osaka.
A desmontagem da estrutura já começou, mas até o momento os órgãos competentes não confirmaram oficialmente nem se posicionaram de forma clara sobre as declarações do arquiteto.
Se o cenário descrito por Fujimoto se confirmar, o Grand Ring deixará de cumprir seu propósito construtivo e poderá se tornar um dos maiores desperdícios da arquitetura moderna. Resta aguardar.
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