
Hospital que resistiu ao terremoto que destruiu Los Angeles tinha um segredo na fundação
|
Hospital que resistiu ao terremoto que destruiu Los Angeles tinha um segredo na fundação
- Por Márcio Freire
- 13 Março,
|
Em 17 de janeiro de 1994, um terremoto devastador atingiu a região metropolitana de Los Angeles, na Califórnia. O tremor, conhecido como terremoto de Northridge, causou destruição generalizada no oeste do Vale de San Fernando.
Prédios desabaram, pontes e viadutos foram destruídos e milhares de estruturas sofreram danos severos. O desastre deixou 57 mortos, milhares de feridos e provocou bilhões de dólares em prejuízos.
Várias unidades médicas da região tiveram que ser evacuadas após sofrer danos estruturais. No total, 11 hospitais foram parcial ou totalmente fechados, obrigando a transferência de pacientes para outras instituições.
No entanto, um hospital conseguiu permanecer aberto e continuar recebendo pacientes mesmo durante o caos.
Como isso foi possível? O motivo estava escondido sob o prédio.
O hospital que resistiu ao caos
Hospitais são considerados infraestruturas críticas. Quando um desastre como um terremoto ocorre, garantir que essas instituições continuem funcionando pode fazer a diferença entre salvar vidas ou agravar ainda mais a crise.
No terremoto de Northridge, muitos hospitais da região sofreram danos estruturais e precisaram ser evacuados justamente quando a cidade mais precisava deles.
Mas um hospital teve uma experiência bem diferente. Enquanto diversas unidades médicas interrompiam suas atividades, o Hospital Universitário da USC (hoje Keck Medicine of USC) conseguiu permanecer aberto.
Pacientes e funcionários sentiram o tremor, mas, em vez dos violentos abalos registrados em outras partes de Los Angeles, o prédio experimentou movimentos muito mais suaves.
A razão para essa resistência não foi sorte. O hospital havia sido inaugurado apenas três anos antes do terremoto, em 1991, e seu projeto incluía uma solução estrutural ainda pouco comum nos Estados Unidos na época.
Essa solução é conhecida como isolamento sísmico de base.
Isoladores sísmicos: o segredo escondido na fundação do hospital
O isolamento sísmico de base funciona desacoplando fisicamente o edifício do solo.
Em vez de ficar rigidamente conectado à fundação, o prédio é apoiado sobre dispositivos especiais chamados isoladores sísmicos. Esses dispositivos funcionam como uma espécie de suspensão para o edifício.
Durante um terremoto:
- o solo se move rapidamente
- os isoladores absorvem parte do movimento
- a estrutura acima se move de forma muito mais suave
Na prática, o sistema reduz significativamente a intensidade dos movimentos transmitidos à estrutura. Assim, o edifício “sente” menos o impacto do terremoto.
Como funcionam os isoladores sísmicos
Existem vários tipos de isoladores, mas os mais comuns utilizam mancais de borracha laminada com aço. Esses dispositivos possuem duas características importantes:
1️⃣ Flexibilidade horizontal: Eles permitem que o edifício se mova lateralmente durante o terremoto.
2️⃣ Rigidez vertical: Ao mesmo tempo, são suficientemente rígidos para suportar o peso da estrutura.
Isso significa que o prédio pode deslizar suavemente durante o tremor, sem transferir grande parte da energia para a superestrutura.
Um detalhe curioso: o “fosso sísmico”
O isolamento sísmico deixou de ser uma solução experimental e hoje é utilizado em milhares de estruturas ao redor do mundo.
Edifícios com isolamento de base costumam ter um detalhe curioso.
Para permitir que o prédio se mova durante um terremoto, é necessário deixar um espaço ao redor da estrutura, conhecido como fosso sísmico.
Esse espaço permite que o edifício se desloque alguns centímetros ou até dezenas de centímetros sem colidir com estruturas vizinhas.
Um exemplo conhecido é o San Francisco City Hall, que recebeu mais de 500 isoladores sísmicos durante uma grande restauração realizada no final dos anos 1990.
Engenharia que salva vidas
O terremoto de Northridge mostrou de forma clara a importância da engenharia sísmica.
Graças ao sistema de isolamento na fundação, o hospital da USC conseguiu continuar funcionando justamente quando a cidade mais precisava dele.
É um lembrete poderoso de que, muitas vezes, as soluções mais importantes da engenharia estão escondidas onde quase ninguém vê: sob nossos pés.
Chegamos ao fim deste artigo. Se curtiu esse tipo de conteúdo, compartilhe com alguém que também gosta de acompanhar as últimas novidades da engenharia. Até a próxima!
Artigos Relacionados
Artigos relacionados 🔗
Categorias 📝
Conteúdo em vídeo ▶️
Redes sociais 🧪
Siga nossas redes sociais e receba doses diárias de engenharia civil
Toda segunda, às 07h.
Veja também!
Escada rolante mais longa do mundo é inaugurada na China: estrutura de 905 metros atinge 240 metros de altura
Uma escada rolante de 905 metros está mudando a mobilidade em uma cidade montanhosa na…
Por que mudanças na Coreia do Sul são feitas pela janela dos prédios
Incrível! Na Coreia do Sul, caminhões com escadas gigantes levam sofás até o seu apartamento.
Marina Bay Sands: Como construíram um “navio” maior que a Torre Eiffel no topo de três prédios
O gigantesco “navio” do Marina Bay Sands conecta três torres e desafia limites da engenharia…
Prédio em formato de peteca? Índia aposta em arquitetura incomum para impulsionar badminton
Uma peteca gigante inspirou um dos projetos esportivos mais curiosos já construídos.
Este teste mostra por que o capacete na obra é indispensável
O que acontece quando uma ferramenta cai de 9 metros? O resultado impressiona.
Copa do Mundo 2026: Vancouver constrói o maior telhado de madeira autoportante do mundo
105 metros de vão! O telhado de madeira que vai impressionar a Copa do Mundo…






