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Estudo afirma que pode levar mais de 37 anos para processar todo entulho de gaza

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Estudo afirma que pode levar mais de 37 anos para processar todo entulho de gaza

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As guerras deixam marcas profundas — nas pessoas, nas cidades e no tempo. Em Gaza, o drama humano é imenso e ainda em curso. Mas há também um lado pouco falado e que deve ser analisado: como lidar com a infraestrutura de uma região destruída?

Obviamente, em um cenário de guerra, a preocupação dos civis é apenas saber quando esse pesadelo vai terminar. Cabe à engenharia estudar os impactos causados na infraestrutura da cidade e os desafios para superá-los.

Nesse contexto, um estudo publicado recentemente no IOP Science analisou a logística envolvida na limpeza e processamento dos escombros da região. Com os equipamentos que possui atualmente, Gaza demoraria quase quatro décadas para processar todo o entulho gerado pela guerra.

Com base em imagens de satélite e dados de infraestrutura, os pesquisadores calcularam volumes, distâncias, tecnologias disponíveis e até o impacto ambiental causado pelas longas viagens necessárias para descarte dos materiais.

O resultado é um retrato técnico do que vem depois da destruição — e do tamanho do esforço necessário para tornar possível qualquer reconstrução.

Continue a leitura para ver mais detalhes sobre esse estudo.

imagens de satelite de gaza antes e depois

Gaza possui mais 36,8 milhões de toneladas métricas de entulho

Um estudo publicado no periódico Environmental Research: Infrastructure and Sustainability analisou imagens de satélite e dados espaciais de código aberto para estimar a quantidade de entulho gerado em Gaza entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

O resultado impressiona: mais de 36,8 milhões de toneladas métricas de resíduos, provenientes de edifícios destruídos ou gravemente danificados. Para ter dimensão desse número, seria como se cada metro quadrado da região acumulasse mais de 100 kg de entulho.

Considerando também a destruição de estradas e outras infraestruturas, esse número pode chegar a 50,7 milhões de toneladas métricas de detritos.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Oxford, apresenta uma modelagem técnico-logística baseada no cenário atual: infraestrutura limitada, equipamentos simples e uma região densamente povoada.

A partir desses números, o estudo projeta os desafios logísticos e técnicos da remoção, trituração e eventual reutilização do material.

entulho de gaza cidade em ruinas

o desafio de remover milhões de toneladas de entulho

Remover todo o entulho de Gaza é uma tarefa extremamente complexa. Os pesquisadores estimam que seriam necessárias cerca de 2,1 milhões de viagens de caminhão para transportar os resíduos até os pontos de descarte, totalizando 29,5 milhões de quilômetros percorridos.

Para efeito de comparação, isso equivale a mais de 736 voltas ao redor da Terra.

Mas o transporte é apenas o começo. Além de mover, é preciso transformar: o estudo também calculou o tempo necessário para processar o entulho — ou seja, triturar e preparar os resíduos para eventual reutilização. Para isso, os autores simularam dois cenários distintos, ambos considerando o uso de 50 máquinas operando em paralelo. São eles:

Em um cenário otimista, o estudo considera o uso de 50 britadores industriais de alta capacidade, capazes de processar até 400 toneladas de detritos por hora. Com esse equipamento, todo o entulho poderia ser triturado em menos de um ano, assumindo operação contínua e sem interrupções.

Já no cenário mais realista, seriam utilizados 50 britadores primários portáteis, de baixa capacidade, disponíveis atualmente na região — com produção média de 6 toneladas por hora. Nesse caso, o processamento total dos escombros levaria mais de 37 anos.

A diferença entre os dois cenários revela uma questão central: a tecnologia disponível define o tempo da reconstrução. Sem acesso a equipamentos mais avançados, Gaza pode enfrentar décadas de trabalho apenas para limpar o que sobrou.

A IMAGEM MOSTRA DUAS FOTOS FAZENDO UMA COMPARAÇÃO COM OS EQUIPAMENTOS DISPONÍVEIS EM GAZA. A PRIMEIRA MOSTRA FERRAMENTAS MANUAIS E A SEGUNDA UM BRITADOR DE MANDÍBULA INDUSTRIAL.

é possível aproveitar alguma coisa?

Em cenários de guerra como o de Gaza, é comum presumir que tudo o que sobrou precisa ser descartado. Mas uma parte significativa desse material — especialmente o concreto — pode ser reaproveitada. Com os equipamentos certos, o entulho pode ser transformado em agregado para uso em novas obras.

O estudo, pressupõe que 80% dos escombros gerados são compostos por concreto que pode ser aproveitado. Tecnicamente, esse material poderia ser reutilizado em pavimentações e estruturas de base.

O restante — cerca de 20% — representa um desafio maior. Estima-se que mais de 800 mil toneladas estejam contaminadas com amianto, além de possíveis resíduos hospitalares, químicos ou biológicos.

Esses materiais exigem descarte controlado, equipamentos de proteção e processos que não estão disponíveis hoje na Faixa de Gaza.

Mesmo para os materiais aproveitáveis, há um obstáculo central: a triagem. Em um cenário de infraestrutura colapsada, com risco de explosivos no solo e acesso limitado, separar o que pode ou não ser reciclado demanda tempo, mão de obra especializada e máquinas específicas.

Ou seja, mais do que um desafio técnico, o reaproveitamento do entulho esbarra na escassez generalizada de recursos.

o impacto ambiental da guerra

Segundo os autores, o estudo também tem como objetivo destacar os impactos ambientais de longo alcance — e muitas vezes ocultos — causados por guerras. Os pesquisadores chamam atenção para as emissões geradas durante o processo de limpeza e descarte de entulho.

O transporte das 36,8 milhões de toneladas de resíduos até os pontos de descarte, por exemplo, poderia emitir cerca de 65.600 toneladas de CO₂.

Somando transporte e processamento dos resíduos, as emissões totais poderiam chegar a 90.000 toneladas de gases de efeito estufa.

Esses valores podem parecer pequenos diante da emergência humanitária, mas oferecem uma visão complementar: o processo de reconstrução urbana em zonas de guerra também carrega consequências ambientais que se somam às perdas humanas e materiais.

Esses números representam um recorte do que os autores chamam de “efeitos colaterais invisíveis” de conflitos armados.

Os autores ressaltam que boa parte das atividades militares e de reconstrução emergencial sequer são contabilizadas nos relatórios climáticos internacionais. Isso significa que uma fração considerável das emissões globais — especialmente em zonas de conflito — segue invisível nas estatísticas que orientam políticas ambientais globais.

A remocao do entulho de gaza exigiria 2 1 milhoes de viagens de caminhao

O caminho da reconstrução

O objetivo do estudo foi fornecer aos formuladores de políticas, planejadores urbanos, engenheiros civis e trabalhadores locais um retrato técnico da destruição até o momento e dados que demonstram o tamanho do esforço necessário para tornar possível qualquer reconstrução.

Isso significa dimensionar o problema com precisão, entender os limites logísticos e prever riscos técnicos — não apenas para remover o entulho, mas para planejar, de forma responsável, o que virá depois.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), mais de 90% das casas na Faixa de Gaza foram total ou parcialmente danificadas

Até o momento, a preocupação dos civis — que não têm qualquer responsabilidade pelas divergências políticas — é simplesmente sobreviver em meio à destruição.

Mas, quando esse cenário finalmente der espaço à reconstrução, será a engenharia — guiada por dados baseados em estudos com esse — que poderá indicar os caminhos possíveis.

Para ter acesso a pesquisa completa bastar acessar esse link:  Environmental Research: Infrastructure and Sustainability

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