
Furos de Sondagem | Guia NBR 8036
Imagine você entrando em uma floresta à noite, sem nenhuma iluminação. Difícil saber o que pode aparecer, né? Construir sem conhecer o solo é a mesma coisa: você não sabe o que te espera!
Vai por mim… descobrir problemas no solo depois que tudo já começou não é o tipo de surpresa que você quer ter.
Cada projeto é único, e a sondagem ajuda a prever as condições do terreno, garantindo mais segurança e menos dor de cabeça durante a construção.
É aí que entra a NBR 8036:1983, que nos orienta a definir a quantidade e a localização dos furos de sondagem.
Neste artigo, você vai aprender a calcular a quantidade mínima de furos e como definir sua localização. Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas.
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É obrigatório fazer sondagem?
Antes do início de qualquer obra, é imprescindível e obrigatório realizar o estudo do solo por meio da sondagem. Afinal, essa etapa permite verificar se o solo pode suportar as cargas da estrutura a ser construída, garantindo segurança e economia de materiais.
Fiz questão de começar por esse ponto porque muita gente ainda ignora esse procedimento, seja por descuido ou por pressão do contratante.
E mesmo quando o cliente acha que a sondagem é só um gasto a mais, é importante mostrar que, na prática, ela representa economia!
Uma fundação mal dimensionada pode causar recalques indesejáveis e gerar manifestações patológicas — como fissuras e trincas — que aumentam (e muito) o custo da obra.
Quantos furos de sondagem são necessários em uma obra?
A quantidade mínima de furos de sondagem depende da área de projeção da edificação — ou seja, da área que será realmente construída. Quanto maior essa área, mais furos serão exigidos. Não se considera o tamanho total do terreno, apenas a área ocupada pela construção.
O documento que você precisa ter em mãos para definir a quantidade mínima de furos a serem executados na área prevista para a implantação da edificação, assim como a sua localização e profundidade, é a:
NBR 8036:1983 – Programação de sondagens e simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios.
Segundo a NBR 8036:1983, a quantidade de furos de sondagem e a sua localização dependem do tipo da estrutura, de suas características especiais e das condições geotécnicas do subsolo.
O número de sondagens deve ser suficiente para fornecer informações da provável variação das camadas do subsolo do local em estudo.
Nessa norma encontramos algumas regras que devem ser seguidas para se obter o número mínimo de furos de sondagem a depender da área de projeção da edificação.
Diante disso, separamos essas regras em duas classificações para melhor entendimento. São elas: Regras Gerais e Exceções.
Regras Gerais – Quantidade Mínima de Furos de Sondagem:
- Regra Geral Nº 1 – Deve ser realizada, no mínimo, uma sondagem para cada 200 m² de área de projeção em planta do edifício, até o limite de 1.200 m².
- Regra Geral Nº 2 – Entre 1.200 m² e 2.400 m², deve ser realizada uma sondagem para cada 400 m² que excederem os 1.200 m² iniciais.
- Regra Geral Nº 3 – Acima de 2.400 m², o número de sondagens deve ser definido conforme o plano particular da construção.
Exceções:
- Regra 1A – Para pequenas áreas em projeção, devem ser feitos dois furos para áreas de até 200 m² e três furos para áreas entre 200 e 400 m².
- Regra 1B – Em situações como os estudos de viabilidade, em que ainda não há definição da área a ser construída, o número mínimo de sondagens deve ser três.
Vamos fazer dois exemplos para fixar o conteúdo!
Exemplo 1: Qual é o número mínimo de furos de sondagem em um terreno de 25×30, sabendo que nesse local será construída uma residência com 350m² de área de projeção em planta?
Analisando a questão, a área de projeção, ou seja, a área construída, é de 350 m², o que é inferior a 1200 m². Assim, seguindo a Regra Geral Nº 1 mencionada anteriormente, você vai precisar de pelo menos um furo de sondagem para cada 200 m² de área de projeção.
Se fizermos esse cálculo com base na Regra Geral Nº 1, teríamos aproximadamente 2 furos (350/200 = 1,75). Tudo certo? Muita atenção aqui, essa não é a resposta! Precisamos verificar as exceções.
Assim, não podemos esquecer da Regra 1A no tópico de Exceções! Para uma área entre 200 m² e 400 m², são necessários 3 furos.
Outro ponto que gera bastante dúvidas é em relação a área do terreno. Perceba que ela não foi utilizada em nossos cálculos, pois precisamos mesmo é da área de projeção a ser construída (350 m²).
Exemplo 2: Qual é o número mínimo de furos de sondagem em um terreno de 50×50, sabendo que nesse local será construído um ponto comercial com 1800m² de área de projeção em planta?
Observa-se que o segundo exemplo não se enquadra em nenhuma das Exceções (Regra 1A e 1B). Sendo assim, é necessário utilizar as Regras Gerais para encontrar o número mínimo de furos de sondagem.
O raciocínio para esse exemplo é o seguinte:
- Esse exemplo se enquadra em alguma exceção? Nesse caso, não! Então seguimos para as regras gerais.
- Pela Regra Geral Nº 1 precisamos utilizar 1 furo para cada 200 m² até o limite de 1200 m². Pegando 1200 m² dos 1800 m² de área de projeção e dividindo por 200, chegamos a 6 furos (1200/200 = 6).
- Nota-se que ainda sobrou 600 m² que excederam os 1200 m² da Regra Geral Nº 1. Esse excedente se enquadra na Regra Geral Nº 2, ou seja, é necessário dividir esse valor por 400.
- Dividindo o excedente por 400 chegamos ao valor de aproximadamente 2. Dessa forma, somamos os valores encontrados (6+2) e chegamos ao resultado final igual a 8 furos.
Você pode estar se perguntando: terei que fazer essa conta toda vez?
Calma aí, pensando em facilitar sua vida temos uma tabela que fará você economizar um tempinho. Desse modo, por meio da tabela basta consultar a área a ser construída e você já terá o número mínimo de furos de sondagem.
Como definir a localização dos furos de sondagem em uma obra?
Para se obter uma maior variação do perfil do solo, é recomendado que os furos de sondagem sejam distribuídos ao longo da área a ser construída, de modo que estes não sejam posicionados no mesmo alinhamento.
Esse posicionamento precisa ser feito de forma criteriosa, seguindo as melhores recomendações normativas e literárias. A NBR 8036:1983, por exemplo, estabelece orientações importantes para definir a localização dos pontos de sondagem. São elas:
📍 1. Evite alinhamentos entre os furos
Segundo a NBR 8036, quando o número de sondagens for superior a três, os furos não devem ser dispostos em linha reta. Por precaução, recomendamos que utilize esse critério mesmo quando houver apenas dois furos. Essa prática evita que a investigação fique restrita a uma única faixa do solo.
📍 2. Distribua uniformemente nos estudos preliminares
Durante a fase de planejamento ou viabilidade do empreendimento, os furos de sondagem devem ser bem distribuídos ao longo de toda a área da construção, mesmo que o projeto ainda não esteja definido.
📍 3. Adapte ao projeto na fase executiva
Na fase de projeto, se necessário, você pode solicitar que os furos sejam posicionados levando em consideração elementos estruturais importantes, como pilares, muros de contenção e cargas concentradas.
Trouxemos para vocês alguns exemplos de como distribuir os furos de sondagem ao longo do terreno, confira na imagem a seguir.
A NBR 8036:1983 permite definir a localização dos furos a depender da demanda do projeto. Por exemplo, o engenheiro pode solicitar um furo de sondagem em um local onde os pilares estarão mais solicitados.
qual é a DISTÂNCIA máxima entre FUROS DE SONDAGEM?
A distância máxima entre furos de sondagem, em obras usuais, varia de 25 a 30 metros, conforme recomendações técnicas.
Nos estudos de viabilidade, onde não há disposição em planta do edifício, o número de sondagens deve ser fixado de forma que a distância máxima entre furos seja de 100 metros.
ATÉ QUAL PROFUNDIDADE A SONDAGEM DEVE IR?
Segundo a NBR 8036, as sondagens devem ser paralisadas na profundidade onde o solo não seja mais significativamente solicitado pelas cargas estruturais.
Mas como saber se o solo não está significativamente solicitado?
De acordo com a norma, isso ocorre na profundidade onde o acréscimo de pressão no solo, devido às cargas estruturais aplicadas, é menor do que 10% da pressão geostática efetiva.
Além disso, com base em algumas variáveis como pressão média sobre o terreno e peso específico médio do solo, a NBR 8036 apresenta um gráfico para estimar a profundidade a ser utilizada.
A NBR 8036:1983 tem um tópico que fala especificamente sobre isso, porém se você quiser saber especificamente sobre os critérios de parada da sondagem SPT, consulte a NBR 6484:2020.
QUAIS SÃO AS NORMAS RELACIONADAS A FUROS DE SONDAGEM?
Além da NBR 8036, que trata do planejamento de sondagens geotécnicas, outras normas também são fundamentais para quem atua com investigação do subsolo. São elas:
📄NBR 6484:2020 – Solo – Sondagem de Simples Reconhecimento com SPT – Método de Ensaio
Essa norma define o procedimento do SPT, o ensaio de sondagem mais utilizado no Brasil para reconhecimento do subsolo.
📄NBR 6122:2019 – Projeto e Execução de Fundações
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