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IA desenvolvida pelo MIT sugere material usado no concreto romano para reduzir uso de cimento

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IA desenvolvida pelo MIT sugere material usado no concreto romano para reduzir uso de cimento

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O concreto é o material mais usado no mundo depois da água. Presente em estradas, casas, pontes e arranha-céus, ele é a base da construção civil moderna. Mas existe um problema gigantesco em sua composição: o cimento.

Responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂, o cimento é o ingrediente que mais pesa no impacto ambiental do concreto. Isso acontece porque seu processo de fabricação exige altas temperaturas e libera grandes quantidades de gás carbônico.

A pergunta que muita gente já se fez e que um time de pesquisadores do MIT levou a sério, é: como podemos continuar usando concreto, mas com menos cimento?

Com tanto avanço tecnológico, ninguém esperava que a IA fosse “redescobrir” um truque da Roma Antiga. Mas foi exatamente isso que aconteceu.

Continue a leitura e entenda como o MIT desenvolveu uma ferramenta com potencial para transformar o jeito como fazemos concreto.

concreto romano composicao 1

IA entra em cena na busca por alternativas ao cimento no concreto

A ideia de substituir o cimento na mistura do concreto por materiais alternativos não é nova. Produtos como cinzas volantes e escória de alto-forno já são usados há décadas em misturas de concreto — com bons resultados.

O problema é que a demanda por esses materiais cresceu muito mais rápido que a oferta. Com a construção civil buscando reduzir seu impacto climático, esses substitutos começaram a faltar. E isso fez surgir uma nova corrida: a busca por uma nova “receita” para o concreto.

Hoje, esse é um dos temas mais estudados do setor. A cada semestre, surgem novas pesquisas propondo materiais que prometem ser mais sustentáveis que o cimento. E já tem muita coisa promissora registrada em artigos, bancos de dados e teses no mundo inteiro.

Foi aí que uma equipe do MIT, liderada pelo pós-doutor Soroush Mahjoubi, percebeu o seguinte: o desafio não é sair testando qualquer material novo — e sim organizar e interpretar tudo o que já foi descoberto até agora. O volume de dados é tão grande que seria impossível analisar tudo manualmente.

A solução? Deixar a inteligência artificial fazer o trabalho pesado.

maquina representando inteligencia artificial fazendo o processamento de dados

machine learning aplicada na engenharia civil

Foi diante desse mar de dados que a equipe do MIT decidiu recorrer à inteligência artificial — mais especificamente ao aprendizado de máquina (machine learning)

A ideia era simples: se humanamente é impossível analisar milhões de dados e pesquisas, que tal ensinar uma máquina a fazer isso por nós?

Com base em modelos de linguagem avançados, os pesquisadores desenvolveram uma ferramenta capaz de ler artigos científicos, interpretar dados e classificar materiais com base nas propriedades que interessam para o concreto.

O sistema foi alimentado com informações sobre mais de 1 milhão de amostras de rochas e resíduos do mundo todo. A IA, então, passou a avaliar esses materiais conforme dois critérios fundamentais para substituir o cimento:

🪨 Reatividade hidráulica — ou seja, a capacidade de endurecer ao entrar em contato com a água, como o cimento faz.

🧪 Pozolanicidade — que é a capacidade do material reagir com o hidróxido de cálcio liberado na hidratação do cimento, melhorando a resistência do concreto ao longo do tempo.

Com esses critérios, a ferramenta passou a filtrar, cruzar e ranquear os materiais mais promissores — muitos deles já estavam ali há anos, só esperando serem notados.

o material mais promissor indicado pela ia já era usado no concreto romano

Com os materiais classificados pela IA, os pesquisadores conseguiram identificar 19 categorias de candidatos promissores — incluindo biomassa, rejeitos de mineração, resíduos industriais e até materiais demolidos.

Mas entre todos, um grupo se destacou: as cerâmicas.

Azulejos quebrados, tijolos antigos, porcelanas descartadas — tudo isso apareceu com alta reatividade, ou seja, com capacidade real de substituir parte do cimento com eficiência.

E o mais curioso? As cerâmicas já eram utilizadas pelos romanos há mais de dois mil anos.

Segundo o pesquisador Soroush Mahjoubi, eles adicionavam cerâmica ao concreto para melhorar a resistência à água e impermeabilizar estruturas. Um truque milenar que agora volta ao centro das atenções, impulsionado por inteligência artificial.

Interessante perceber que, mesmo com toda a tecnologia disponível hoje, o passado ainda tem muito a ensinar.

💡 E o melhor: muitos desses materiais podem ser aproveitados com um simples processo de trituração — sem necessidade de tratamentos químicos caros. . Isso significa menos gasto energético, menos resíduos e um canteiro de obras mais sustentável.

COMPOSICAO DO CONCRETO ROMANO ceramica

MIT planeja próximos testes com materiais sustentáveis para concreto

O estudo do MIT ainda está no começo. A equipe agora trabalha para refinar a ferramenta de IA, alimentando o sistema com mais dados e ajustando os critérios de avaliação para tornar os resultados ainda mais precisos.

Além disso, os pesquisadores planejam testar em laboratório os materiais mais promissores identificados pela inteligência artificial, incluindo aqueles que podem ser reaproveitados com pouco ou nenhum processamento.

A ideia é que, em breve, essa ferramenta possa ajudar engenheiros e empresas do setor a tomar decisões mais sustentáveis com base em dados reais e acessíveis, economizando tempo, reduzindo custos e diminuindo o impacto ambiental das obras.

Como destacou a professora Elsa Olivetti, coautora do estudo e líder do Grupo Olivetti no MIT:

“O concreto é a espinha dorsal do ambiente construído. Se conseguirmos torná-lo mais sustentável sem perder resistência ou durabilidade, todos saem ganhando.”

No fim das contas, o estudo mostra que a solução para um dos maiores desafios da construção civil pode estar entre resíduos esquecidos e ideias antigas, agora redescobertas com ajuda da IA.

Não é sobre reinventar o concreto do zero — é sobre usar melhor o que já temos, com inteligência, dados e um olhar mais atento para o futuro (e para o passado também).

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